10/11/2014

Carol Araujo | Sesc Carmo

5 comentário(s)

DHL, Seu Mané e Mesa Brasil - 13 anos de parceria

Manoel Tibúrcio é conhecido por todos como Seu Mané. Todos mesmo, pois é impossível que ele circule pelos corredores do escritório sem que seja parado e paparicado pelos funcionários. Começou a trabalhar na DHL Express na década de 1980 e colabora com Mesa Brasil desde o início da parceria.

Seu Mané nasceu na cidade de Ibirapitanga, na Bahia. Contou que nunca gostou muito da roça, desde criança queria entender essa coisa de cidade e prometeu que ainda ia pisar no pé dos prédios. Com 26 anos cumpriu a promessa e veio para São Paulo, abraçado a uma mala de couro gasto, com a cara, a coragem e o radinho de pilhas dentro. Seu Mané tem sotaque paulista e sorriso largo. Diz ter 64, mas todos duvidam por sua aparência, disposição e alegria de menino.

“O segredo de trabalho de qualquer motorista é ter o dom de tolerar o trânsito”, diz dando um sorriso e passagem para um caminhão, com a tranquilidade de quem pratica as ruas diariamente há mais de 34 anos. “A gente não pode ficar bravo se alguém xinga ou buzina, tem que neutralizar, a gentileza é uma corrente, se você é gentil aqui o outro vai ser também e o outro, e o outro...”

Seu Mané começou trabalhando como motorista na DHL. Confessa que enjoava rápido das funções. Foi promovido, passou a ser supervisor dentro da empresa, mas foi quando conheceu o Mesa Brasil que a história mudou: “Todos temos o lado egoísta, a gente pensa que se tá bom pra gente o resto que se dane, mas mudei o pensamento quando entrei e vi como era a vida essas pessoas. É um sofrimento tão grande que existe por aí que comecei a pensar que alguém tem que fazer alguma coisa. E não é todo mundo que quer ajudar o ser humano, não. Antes não sabia que existia esse tipo de trabalho de ajudar as pessoas, mas quando eu vim pro Mesa Brasil me apaixonei de cara, e pensei: vou querer ficar aqui direto.”

Depois de três entregas não pensou duas vezes e pediu para voltar a ser motorista. “Cheguei no meu gerente e disse, será que o senhor não me libera para trabalhar fixo lá? E ele disse que 'de jeito nenhum', que eu estava louco pois era supervisor, que poderia colocar qualquer pessoa pra fazer esse trabalho. Mas ele estava pensando no custo, e em momento algum pensei no dinheiro. Estava mesmo é pensando no ‘custo-ser-humano’. Vou te falar que eu ainda não entendia muito bem a vontade de estar ali, mas era tão forte que respondi de pronto: além de você quem é que pode me autorizar? Só o diretor podia, que também negou minha transferência. Caramba, dois nãos no mesmo dia? Daí só falando com o presidente, e pra falar com ele naquela época era quase impossível. Eu não podia passar por cima de ninguém mas já sabia bem o que queria. Joguei limpo com o presidente, ele me olhou bem nos olhos e perguntou: Tem certeza que é isso que você quer? Se o projeto não desse certo eu podia ir pra rua. Pensei e vi que era perigoso, mas não era para empresa que eu queria trabalhar, era para as pessoas. Então eu disse o maior sim da minha vida e aqui estou.”

No caminho pegamos a funcionária Aline Romero. É a segunda vez que ela participa como voluntária e diz que esperou muito para voltar. “É a maior briga pra voluntariar no Mesa, todo mundo quer vir de novo e a lista é grande!”

Hoje a DHL tem cerca de 690 funcionários cadastrados, e todos os departamentos participam do programa de voluntariado do Mesa Brasil. Existe uma escala de quase 3 meses de espera para que todos possam ter sua vez.

“Esses voluntários são como meus filhos, eu aprendo com eles, eles aprendem comigo. As vezes você recebe um abraço e fica em dúvida se é verdadeiro, aqui é outra coisa, os abraços que recebo são desinteressado, não são pra ganhar cargo ou status, dá pra sentir, porque vem de dentro. Todo mundo sai daqui melhor do que chegou. A gente aprende a amar as pessoas e entender como elas são, é um conhecimento que faculdade nenhuma dá, é uma coisa que eu nem sei explicar com as palavras", diz Mané. 

Aline comenta que é dia de confraternização na empresa, mas seu Mané diz: “A minha festa é aqui, nesse carro. Teve um dia, mês passado, fui fazer entrega em um asilo, o trânsito me atrasou um pouco e já era quase a hora do café, e eles são como crianças, chega o horário de lanchar já formam uma fila com suas canequinhas. Quando vi já estavam todos em pé e a funcionária com a mão no queixo pensando no que ia falar para os meninos (forma carinhosa de chamar os velhinhos). O asilo não tinha absolutamente nada para oferecer pra eles comerem. Quando viram o carro do Mesa foi aquela alegria. Eu fiquei emocionado pois vi que cheguei na hora certa. Todos os dias penso que tudo que eu estou levando está fazendo o bem para as pessoas, mas principalmente para mim, pois eu recebo em dobro o que carrego. Quer festa maior que essa?”

Fizemos as contas: nesses 13 anos, cerca de 7.140 voluntários já passaram pelos bancos do carro da DHL. No núcleo do Sesc Carmo são 140 instituições atendidas, 130 empresas doadoras e cerca de 3 toneladas de alimentos entregues todos os dias. Mas Manoel nem pensa em aposentadoria, diz que tem muita energia ainda e um bocado de coisas a aprender.

“A gente tem que plantar a sementinha, porque todo mundo um dia fica velho. E o tipo da semente é a gente que escolhe. A minha é essa aqui”

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5 comentários

  • Vera 14 de novembro de 2014 às 18:39

    PARABENS!!! Manoel Pelo lindo trabalho!!!!!

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  • Tayana pinheiro 05 de dezembro de 2014 às 10:23

    Como posso ser uma voluntaria ???

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  • renato dias dos santos 21 de julho de 2015 às 12:29

    parabeens mane continue levando essa alegria lembra de mim eu ui uncionario dhl e perticipei desse, projeto antastico com o senhor grande abraço.

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  • Mozart 25 de agosto de 2015 às 13:21

    Meus PARABENS !!

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  • Luciana 12 de outubro de 2016 às 13:04

    Que história linda!!! me emocionei demais....parabéns seu mané o senhor é um exemplo.

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